Paz e Unidade!

"Expecto ressurrectionem mortuorum et vitam venturi saeculi", esta é nossa fé! Nossa esperança, nossa alegria! Com estas palavras retiradas do final do texto do chamado "Símbolo Niceno-Constantinopolitano", de fins do século IV, exorto a todos a proclamarem que a cruz símbolo de castigo, vergonha, humilhação e derrota, tornou-se para nós a arvore da vida! Dela pendeu a nossa salvação, podemos adora-la e bendizer a Deus Pai, porque ali está a nossa saúde, a nossa vida e nossa ressurreição! Nossa fé deve ultrapassar os sentidos e deslumbrar-se com a alegre esperança na vida eterna, atitude fundamental da doutrina cristã.

Certamente falar e acreditar na ressurreição diante da cultura de morte, do imediatismo, do consumismo e da recusa da fé em nossos dias é nadar contra a corrente! Porém, São Paulo já dizia: "Se esperamos em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis dos mortais"(1Cor.16,19). Se cremos irmãos, o fazemos por inteiro e para todo o sempre!

Me recordo felizmente da obra "Tratado Sobre a Ressurreição dos Mortos" de Atenágoras, Filósofo. Nela o filósofo distingue o possível do necessário, trata das relações entre a razão e a fé, diferentemente do que vemos em nossos dias, onde superficialmente, se apontam pretextos e argumentos sobre a inveracidade da ressurreição e não só, até mesmo da inverdade da vida de Cristo. Atenágoras partindo da concepção aristotélica do homem: "O homem é naturalmente um ser constituído de alma e corpo", acredita que Deus, por ser sábio, não fez o homem em vão. Tampouco Deus fez o homem para dele se utilizar, pois Deus sendo Deus não precisa de nada, somos nós que precisamos Dele! Ora, Deus nos criou dotados de inteligência para que assim possamos conhecê-Lo e contemplar a Sua sabedoria e seguir a Sua lei e Sua justiça. Fomos criados Do e para o amor! E somente após a nossa ressurreição poderemos contemplá-Lo tal como o Senhor É!

Cristo revela esta plenitude de maneira gradual aos discípulos e muitas vezes compara a vida eterna como um grande banquete, uma reunião de pessoas que se amam, que se querem, um ágape e misticamente como uma festa de bodas, indicando a união nupcial de nossas almas com o eterno e divino Esposo. É a "visão beatífica" tão buscada, esperada e desejada pela nossa alma! São Paulo diz que agora nós vemos em um espelho e de modo confuso, e que na eternidade será face a face. Agora caros irmãos nosso conhecimento é limitado, depois conheceremos como somos conhecidos. Encontraremos e contemplaremos o Amor perfeito e deste encontro irromperá o amor, a felicidade perfeita e a paz! A ressurreição deve ser o nosso desejo mais profundo e deve ser construída no hoje, pois segundo São João e São Paulo a vida eterna se inicia neste tempo presente!

Porém, não podemos confundir e deturpar ou até mesmo nos iludir com certo saudosismo a concepção da eternidade, como se ela fosse a continuidade dos melhores momentos, das melhores coisas e dos melhores sentimentos desta vida. E por quê? Porque nada desta vida pode nos saciar plenamente e muito menos por toda a eternidade! É fato! Por mais saboroso que seja um alimento, por mais alegre que seja uma festa, por mais bonita que seja uma roupa e por mais belo que seja um sentimento, tudo está fadado a se tornar repetitivo e enfadonho. Imagina isso por toda a eternidade? Somente em Deus somos saciados e Nele encontramos repouso e alegria eterna! Nele está nossa felicidade sem fim... Nele reencontraremos todos os que amamos e que nos precederam!

Irmãos! Que a fé na ressurreição nos encoraje a sermos santos! Que a mesma fé geste em nós um desejo, uma ambição pela eternidade! Que a ânsia pelo encontro com o esposo de nossas almas seja maior que a apreensão acerca da morte, aliás, se amamos a Deus acima de tudo, devemos ama-Lo também acima da morte. Ela é apenas a porta de entrada para a eternidade, porque em Cristo ela foi vencida!

Páscoa é muito mais que passagem... É encontro, é banquete, é festa, é ressurreição!

Desejo a todos uma Feliz Páscoa e uma espera vigilante pela nossa Páscoa definitiva!

Deus abençoe!

Ir Rodrigo Dias, Cdp