Contaram-me que todos estão se preparando para um importante nascimento neste mês. Confesso que fiquei meio perdido, pois não consegui entender de fato quem vai nascer através desta preparação.

Percebi algumas pessoas se preparando desde o início do ano, com orações e jejuns, mas julgando e caluniando o próximo. Vi outras pessoas fazendo caridade, ajudando os pobres, mas tratando mal quem mora com elas na mesma casa. Um grupo bem intencionado resolveu repetir uma grande campanha de brinquedos para as crianças, mas não conseguiu tempo o ano inteiro para brincar com elas. Ouvi sermões e homilias teológicas falando deste importante nascimento, mas as palavras não condizem com os atos dos renomados pregadores.


Parece-me que várias pessoas querem receber a visita deste importante recém-nascido e por isso estão enfeitando as casas, mas a morada interior está uma bagunça. Outras ainda estão inclusive enchendo o freezer de bebidas para que a recepção seja mais alegre. Mas esta criança bebe? Ouvi em algumas casas canções belíssimas e vi pessoas se abraçando e trocando presentes, mas durante o ano não se olharam e não se fizeram presentes.

Minha sorte é que me encontrei com uma idosa, sábia e bem debilitada. Perguntei quem iria nascer, e ela fitando os olhos em mim disse: "Aquele que nasce todos os dias onde existe amor e unidade!". Entendi naquele momento que eu deveria preparar-me todos os dias para recebê-lo. Que eu deveria amar mais, abraçar mais. E que todas as outras coisas podem ser importante... Os enfeites, as comidas, as bebidas e até os presentes, mas tudo isso não é a prioridade. Aquele que vai nascer alimenta-se de amor e unidade. Assim fico a pensar em como o mundo poderia ser diferente se fosse Natal todo dia.

 

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