bibliaÉ sabido que os livros da Bíblia são divido por capítulos e subdividos em versículos, isto para facilitar estudos e pesquisas, a fim de perceber aquilo que Deus quer nos falar através de sua Palavra.

 Motivo pela qual não se deve ler a Sagrada Escritura de forma linear, como se fosse um romance, mas sim de forma orante ouvindo a voz de Deus através das letras impressas no Livro Sagrado, devagar, de forma meditativa e contemplativa.

Mas a Palavra não surgiu de forma escrita como se todos os acontecimentos da História do Povo de Deus tivesse seus escritores sagrados postos com penas e pergaminhos prontos escrevendo os acontecimentos e revelações divinas.

Os indícios que evidenciam a formação da Bíblia situa-se entre o ano 1.100 ou 1.200 a.C a 100 d.C, provavelmente a mais antiga parte escrita da Bíblia é o Cântico de Débora encontrado no livro dos Juizes (Jz, 5).

Quando os hebreus chegaram a Canaã, havia na terra um certo desenvolvimento literário, como por exemplo o alfabeto fenício (do qual se derivou o hebraico).Vários documentos provam que já havia escrita na Palestina antes dos hebreus chegarem lá, por exemplo a inscrição no túmulo de Siloé (700 a.C).

A parte mais antiga da Bíblia remonta justamente por volta do ano 1.100 a.C, quando a escrita ainda não estava bem definida, motivo pelo qual era transmitida tradicionalmente de forma oral aos mais novos nas reuniões que havia nos santuários, onde só eram relatados os acontecimentos do deserto, do Sinai, da aliança de Deus com o povo.

Mas e os acontecimentos anteriores a estes? Os jovens queriam saber. Então foram compostas as histórias dos Patriarcas.

Mas e antes deles? E antes de Abraão?

Passaram então à história da criação do mundo, por isso se afirma que a parte mais antiga da Bíblia é o livro dos Juizes, a partir daí fez-se um retrospecto didático-histórico.

Estas histórias iam sendo passadas oralmente de pai a filho, nos santuários. Acontece que nem todos iam para os mesmos santuários, o que motivou a existência de pequenas diferenças na catequese do norte e na do sul. A tradição do sul foi chamada de Javista,  pois Deus era tratado sempre por Javé; a do norte se chamou Eloista, porque Deus era tratado como Eloi.

A tradição oral existiu até os tempos de Davi, quando foi escrita a tradição javista; meio século depois, foi escrita também a eloista. Por volta de 721 a.C., na época, da divisão dos reinos, quando a Samaria foi destruída pelos assírios, muitos sacerdotes do norte fugiram para o sul e levaram consigo a sua tradição. A partir de então, as duas foram compiladas num só escrito. Tempos depois surgiram mais outras duas: a Deuteronômica e Sacerdotal.

Depois estas quatro tradições foram combinadas entre si em 5 volumes onde se deu origem ao Pentateuco da Bíblia atual – os livros do Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e o Deuteronômio, que para o judeu é chamado de Torá.

Já o Novo Testamento (NT) não foi escrito com a finalidade de ser acrescentado à Bíblia. No tempo de Cristo e dos Apóstolos, o Livro Sagrado era apenas o Antigo Testamento (AT). O próprio Jesus Cristo se baseava nele em suas pregações. E Ele mandou apenas pregar, e não escrever. Foi quando uma nova tradição oral foi se formando. E após a morte de Cristo, os apóstolos saíram pregando.

Mas veio a necessidade de congregar outras pessoas para o anúncio, em vista do grande número de comunidades existentes. Então, começaram a escrever. Mais tarde, com a aceitação também de cidadãos estrangeiros nas comunidades, a mensagem precisou ser traduzida e adaptada. Além disso, o próprio povo necessitava de uma escrita (doutrina escrita) para se conservar una, após a morte dos Apóstolos. Esta redação, no início, era apenas de alguns escritos esparsos, que só depois de algum tempo foram ajuntados em livros.

 Por Ricardo Chiconello, Missionário da Comunidade Deus Proverá

Fonte de pesquisa: portal Bíblia Católica