O dia 8 de setembro é presenteado com a comemoração da Natividade de Nossa Senhora, ou seja, o aniversário de Maria, a maior mulher da história, que foi capaz de carregar em seu ventre o filho de Deus!

Mulher ousada, que não temeu em dar seu sim para a revolução da época que ecoa e nos dá sinal de salvação até hoje...

Não tem como falar de natalício sem falar de árvore genealógica, e Maria, como qualquer outra criança teve seus pais, Ana e Joaquim, mas encontramos poucas informações a respeito desta parte da história de Maria, que se revela no Evangelho apócrifo de São Tiago, que foi escrito provavelmente no ano 150. Embora os apócrifos sejam os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs nos quais os pastores e a primeira comunidade cristã não reconheceram a Pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo e, portanto, não foram incluídos no Cânon Bíblico, os Pais da Igreja, Orígenes, Clemente, Pedro de Alexandria, São Justino e São Epifânio citam este evangelho com muita frequência, o que nos dá certa confiança de termos como base de nossa pesquisa.

Este Evangelho narra a vida de Maria, filha de um homem rico, Joaquim, casado há muitos anos com Ana, o casal se sentia infeliz por não conseguir ter filhos, o que na época, e segundo a cultura judaica, era considerado castigo de Deus. Joaquim, pedindo a intervenção de Deus, decidiu jejuar no deserto por 40 dias e 40 noites. Neste período, um anjo apareceu a Ana e disse-lhe: "Conceberás e darás à luz, e de tua prole se falará em todo o mundo".

Assim, com o nascimento da menina, Ana a dedicou a Deus, e quando foram completados os três anos de idade, entregou-a ao Templo de Jerusalém, onde viveu e foi escolhido seu noivo, através de um anjo, que visitou Zacarias, o sumo sacerdote, e pediu-lhe que reunisse os viúvos e os seus bastões, pois Deus indicaria desse modo o noivo de Maria. O sinal de Deus foi uma pomba que surgiu do bastão de José, que levou Maria para a sua casa como esposa.
O nascimento de Nossa Senhora ou a Natividade de Maria é uma festa litúrgica celebrada no dia 8 de setembro, nove meses após a sua Imaculada Conceição, celebrada em 8 de dezembro. Teve sua origem em Jerusalém, e começou a ser celebrada no século V como festa da Basílica de Santa Ana. A festa foi incluída no Calendário Tridentino em 8 de Setembro e permanece, até hoje, nesta data.

Assim nos diz Padre Antônio Vieira no Sermão do Nascimento da Mãe de Deus:

"Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria?
Vede o para que nasceu.
Nasceu para que dEla nascesse Deus. (...)
Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;
perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;
perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;
perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;
perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;
os discordes, para Senhora da Paz;
os desencaminhados, para Senhora da Guia;
os cativos, para Senhora do Livramento;
os cercados, para Senhora da Vitória.
Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;
os navegantes, para Senhora da Boa Viagem;
os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso;
os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte;
os pecadores todos, para Senhora da Graça;
e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.
E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus".

Viva Maria, que nasceu do Sim de Deus, para dar um Sim que levou este mesmo Deus a percorrer muitas gerações e penetrar em muitos corações!

Por Rogério Moreria, missionário da Comunidade Deus Proverá