A Igreja do Senhor se renova a cada geração. Ela é dinâmica e criativa, como dinâmico e criativo é o Espírito Santo que a conduz.

Em todos os tempos ela vem acudir a necessidade dos seus filhos, como uma mãe que entende e acolhe cada filho.

A Providência de Deus Pai se manifesta na sua Igreja, Ele sabe do que temos necessidade. Embora seja considerado um "fenômeno" por alguns estudiosos do assunto, as novas Comunidades são a forma como Deus tem se manifestado ultimamente.

Novas Comunidades - primavera da IgrejaNos dias de hoje, dentro de uma sociedade materialista, hedonista e dessacralizada, Deus suscita as novas comunidades como uma forma de recuperar a proximidade do ser humano com Deus. Porém, é um modo de viver já visto na história do cristianismo, onde no primeiro século, as primeiras comunidades eram também mistas, constituídas de vários estados de vida, vivendo o amor incondicional e a unidade.

O carisma das primeiras comunidades de ser um só coração e uma só alma, revive nos dias de hoje com extraordinária exuberância nos novos movimentos eclesiais. E essa maneira de viver o evangelho é a forma que Deus suscita para enfrentarmos os desafios da evangelização para os dias atuais. João Paulo II chama de uma "nova primavera da Igreja", isto é, Deus oferece à humanidade uma nova forma de proclamar a Boa Nova do Reino de Deus.

A vivência nas novas comunidades nos leva a experimentar a presença salvadora de Jesus mediante a caridade e a obediência ao mandato de Jesus "amai-vos uns aos outros" que gera a unidade. E essa forma de viver atrai as pessoas estabelecendo o novo modo de evangelizar no nosso tempo. Os participantes experimentam a graça, buscam a vida na caridade, diminuindo assim, a distância entre a Igreja visível e o que ela é no desígnio de Deus.

A vida comunitária é a ponte que une a dimensão invisível e visível da Igreja. E essa nova forma de vida comunitária em nosso tempo é para a santificação do mundo e para evangelização. Aos poucos vamos percebendo que esta maneira de viver nova e autêntica mostra uma nova face da Igreja, onde se realiza a aspiração de toda pessoa humana a uma realização na liberdade e na comunhão.

Porém, de acordo com o Código Canônico, que vigora desde 25 de janeiro de 1983, não podemos enquadrar no que a Igreja chama de vida consagrada, pois não se trata de religiosos. Mas as comunidades recebem seu reconhecimento e aprovação diante da autoridade diocesana e do Pontifício Conselho para Leigos, podendo assim atuar nas suas formas particulares de seus carismas. Para os que fazem parte dessas comunidades é necessário ter paciência histórica; é preciso passar pela prova do tempo.

 A novidade e a criatividade do Espírito que foram reservadas a essas comunidades, são justamente a diversidade dos estados de vida, vivendo conjuntamente, dentro das mesmas estruturas, sendo um só e mesmo carisma. Veja que riqueza possuímos e como podemos com ela levar uma valiosíssima contribuição à Igreja e a toda sociedade. Este dom é um presente para a Igreja e para a sociedade de hoje, tão necessitada de testemunho concreto e vital.

Embora não façamos parte da tradicional vida consagrada, vivemos uma consagração de vida, como se costuma dizer. A Igreja constata, acolhe e incentiva a continuar. Por isso, o Papa João Paulo II encarregou uma Comissão para as novas formas de vida consagrada para avaliar, à luz da experiência, as novas formas de consagração, realidade que vivemos nas novas comunidades. Cabe a autoridade eclesiástica reconhecer essa nova forma de consagração e propo-las aos fiéis desejosos de uma vida cristã mais perfeita.

Como João Paulo II, também Bento XVI expressa que os movimentos impetrem uma decidida ação para o anúncio da beleza e da verdade, levando ao mundo a liberdade com que Cristo nos libertou, varrendo toda ideologia que ameaça a humanidade em relação à fé. Igual esperança nutre quanto ao caráter missionário dessas novas expressões, em especial com relação à Nova Evangelização.

Por Sonia Castoldi, missionária da Comunidade Deus Proverá