Fundamentado na passagem bíblica do livro de João no capítulo 20, onde Jesus deu aos discípulos autoridade para perdoar ou não os pecados, ou seja, perdoar aos que se arrependeram e querem fazer um caminho diferente, desvencilhado do pecado e àqueles que ainda não chegaram a esse ponto, não perdoar, pois não devemos jogar pérolas aos porcos, a confissão precisa fazer parte da vida do cristão.

É frequente o questionamento ou a desculpa de que podemos nos confessar diretamente com Deus, para assim justificar a falta de adesão à sua proposta. Porém, a Confissão é um Sacramento, assim instituída, não pode acontecer senão diante da pessoa do sacerdote, o qual Deus escolheu por ser também um homem, que vive na própria carne as mazelas do pecado e assim pode se compadecer.

Um padre não se escandaliza com um pecador arrependido, pois vivendo a plenitude do que Cristo ensinou, sabe que existe uma grande luta, até o sangue, contra o pecado, experimentado em sua própria condição humana. Mas, revestido da graça e autoridade de Cristo e de uma inteira disponibilidade aos seus planos, o sacerdote se escandaliza sim com um pecador que não quer abandonar o pecado, que não quer lutar contra o pecado e ainda justifica sua fuga dos projetos de Deus, que nos quer inteiros.

Certamente, quando estamos diante do sacerdote e quando nos preparamos para a confissão, nos sentimos tentados a não nos expor, a não permitir que o outro conheça o “sepulcro caiado” que existe em nós.

Sendo o orgulho chave para o pecado, que envenena, que leva ao fundo e que nos tira a beleza da dependência de Deus, a humildade nos garante o remédio para esse mal.

Assim sendo, quando nos humilhamos diante de Cristo, na pessoa do sacerdote, ferimos o nosso orgulho, e assim, mesmo que gemendo de dores, pois a carne é fraca e não há árvore que queira ser podada, ou semente que queira ser enterrada, nos encontramos com um coração contrito, humilhado, arrependido e comovemos o coração bondoso de Deus, que vem em nosso auxílio e como um pai, nos carrega em seus braços e permite que mais uma vez dependamos dele.

Por Renata Souza, Missionária da Comunidade Deus Proverá