Ao iniciarmos o Tempo Quaresmal, nos deparamos com a Quarta-feira de Cinzas, que já nos leva a visualizar toda Quaresma, exatamente para que busquemos a conversão, busquemos o Senhor. A liturgia do tempo quaresmal mostra-nos a esmola, a oração e o jejum como o princípios da Quaresma.

Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.

A cerimônia das cinzas eleva nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus; princípio e fim, alfa e ômega de nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz indefectível de sua verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais clara do fato de que estamos de passagem neste árduo itinerário sobre a terra, e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até o final, a fim de que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e triunfe em sua justiça.

Uma das frases no momento da imposição das cinzas serve de lembrete para nós: 'Lembra-te que do pó viestes e ao pó, hás de retornar.' A cinza quer demonstrar justamente isso; viemos do pó, viemos da cinza e voltaremos para lá, mas, precisamos estar com os nossos corações preparados, com a nossa alma preparada para Deus.

Neste tempo de Quaresma a Igreja nos propõe três atitudes fundamentais para que nos preparemos bem para fazer esse caminho de preparação para a Páscoa. Essas três atitudes são: jejum, caridade e oração.

O jejum nos ajuda a trilharmos o caminho de Jesus nesses quarenta dias. Quarenta que aqui representa uma nova geração. O velho ser humano que iniciou a Quaresma será transformado pelo ser humano novo que é convidado a ressuscitar com Cristo na Páscoa. Esse caminho, porém é árduo e de sacrifício, por isso é tão importante renunciarmos a algo que nos faz tão bem em vistas de nos prepararmos melhor para a Ressurreição!

O jejum só terá sentido se for feito em vistas da caridade. Eu me privo, faço sacrifício de algo que me faz bem para poder ajudar meu irmão necessitado.
Caridade que aqui não significa simplesmente dar esmolas, ou cestas básicas, mas que pode ser muito mais do que isso. Pode ser um ouvido ao irmão que quer desabafar; pode ser uma palavra de ânimo e conforto ao irmão que está desanimado; pode ser uma palavra de perdão, de compreensão; pode ser um amar a família. Há tantos jeitos diferentes de fazermos a caridade.

No tempo da quaresma somos convidados a empreender um esforço exigente, porém libertador, que deve nos abrir ao chamado do Senhor e da comunidade cristã. Privando-nos do alimento terreno, nas múltiplas formas que se nos apresentam (como vimos na primeira atitude: jejum), aprenderemos a saborear, acima de tudo, o pão da Palavra de Deus e da Eucaristia (terceira atitude: oração) e sentiremos o dever de dividir os bens com os outros (segunda atitude: caridade).

Por João Paulo Parra, Missionário da Comunidade Deus Proverá