«Agora tu, Senhor, despedes em paz o teu servo segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste ante a face de todos os povos: Luz para revelação aos gentios, E glória do teu povo de Israel.» (Lucas 2:29-32)

 Estas palavras foram ditas por Simeão, um homem devoto e que esperava a consolação de Israel. Quando vê o Menino Jesus levado para dentro do templo, dá graças por ter visto a salvação de Deus. Este mesmo homem profetiza a Maria que Jesus causaria um impacto sobre toda Israel e que, ela mesma, também sofreria.

Simeão é um dos personagens mais marcantes no relato da Apresentação. Ele era uma espécie de voluntário que prestava serviço ao templo. Abençoando a Sagrada Família, ele disse à Maria: "Eis que este Menino está destinado a ser causa de queda e de soerguimento para muitos em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada de dor transpassará a tua alma" (Lc 2,34-35). Jesus, de fato, foi e continua sendo sinal de contradição, porque não há meio termo em relação a Ele: só podemos dizer "sim" ou "não".
Ele é contradição para o materialismo, ao anunciar a realidade de um Reino que transcende o mundo em que vivemos. É contradição para o individualismo, quando nos apresenta uma fé a ser vivida em comunidade, dentro de uma relação fraterna: "Vós todos sois irmãos" (Mt 23,8). Também é contradição para o fanatismo, ao ensinar que a Verdade veio até nós pela Revelação.
Em todas as circunstâncias da vida de Jesus, "uma espada de dor transpassou a alma de Maria".

Celebramos, no dia 2 de fevereiro, a grande festa da Apresentação de Jesus no templo. Cumprindo a tradição judaica, Ele foi levado por sua Mãe, Maria Santíssima, e por seu pai adotivo, São José, com todo o carinho, e também por respeito à lei que pedia essa apresentação do primogênito, após os quarenta dias de vida.

Toda a beleza desta tradição tem um significado humano, e, especialmente, divino e salvífico. O Antigo Testamento prescrevia uma lei, segundo a qual todo primogênito seria consagrado ao Senhor (cf. Ex 13,2). Deveria ficar no templo, ou ser resgatado por alguma doação, ainda que simbólica (cf. Ex 13,12-13). Por Jesus ofereceram dois pombinhos; era a oferta dos pobres, que não podiam sacrificar animais de grande porte (cf. Lv 5,7).
Os pombinhos estão ligados a um significado muito rico. São frequentemente lembrados para simbolizar a paz e a pureza.

A apresentação de Jesus no templo é um sinal antecipado da sua missão. O ideal de Jesus foi sempre o de cumprir somente a vontade do Pai: "O meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que me enviou e cumprir a sua obra" (Jo 4,34). Trata-se de algo muito pessoal e próprio de Jesus. Pois, n'Ele, não existe a dicotomia entre o ser e o fazer; Pessoa e missão identificam-se numa única realidade. E o sentido desta festa, para todos nós, é exatamente este: ocupar-se das coisas do Pai.

Dia da Vida Consagrada

Em 1997, o Papa João Paulo II associou a essa celebração o Dia da Vida Consagrada, "a fim de chamar a atenção dos fiéis sobre esta vocação fundamental para a vida da Igreja e para o bem da sociedade", conforme suas próprias palavras. Por isso, é uma festa celebrada, sobretudo, pelas Congregações religiosas e por todos os consagrados e consagradas, que vêem nessa apresentação de Cristo ao Pai o modelo da entrega total de cada um a Deus, através da profissão dos votos.
Esta é a festa dos consagrados e consagradas, que a Deus se oferecem, superando toda divisão de corações. Vivem a lógica da fé e a testemunham para o mundo, seguindo os passos de Cristo. Tornam-se, portanto, novos sinais de contradição para a mentalidade do mundo, onde brilham como luzeiros, a ostentar a palavra da vida" (cf. Fl 2,15).

 

Por Sonia Castoldi, Formadora Geral da Comunidade