Após celebrar no dia 1º de novembro o Dia de Todos os Santos, a Igreja, em todo o mundo, celebra no dia 2 de novembro o "Dia de Finados".

As duas festas são celebradas bem próximas para lembrar que nós cristãos não celebramos a morte, mas a vida, a ressurreição.

Enquanto no dia de todos os santos celebramos a eternidade para aqueles que partiram deste mundo em estado de graça, no dia 2, rezamos por aqueles que estão ainda no purgatório, passando pela purificação para então entrarem na vida eterna.

A celebração dos entes queridos que já partiram data-se do século I d.C., quando Santo Odilon, abade de Cluny, introduziu a celebração de finados nos mosteiros que dirigia.

Sobre rezar para os mortos, São João Crisóstomo (349-407), Bispo e Doutor da Igreja, vai nos dizer:

"Levemos-lhe socorro e celebremos a sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelos sacrifícios de seu pai (Jó 1,5), porque duvidar que as nossas oferendas em favor dos mortos lhes leva alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer as nossas orações por eles" (Hom. 1Cor 41,15).

No Dia de Finados a Igreja convida a todos os católicos a irem aos cemitérios e a rezarem pelas almas dos fies defuntos com a certeza de que, como professamos no Credo, através da Comunhão dos Santos, da qual os que estão em estado de purificação também participam, nossa oração será aceita por Deus e lhes levará algum consolo.

Neste dia, os que visitam o cemitério e rezam pelos mortos, recebem da Igreja indulgência plenária, que pode ser oferecida, segundo o CIC (Catecismo da Igreja Católica) para almas que padecem no purgatório.

"Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados" (Catecismo da Igreja Católica, 1498).

Para que a indulgência seja recebida ou oferecida para alguma alma é necessário estar em estado de graça, ou seja, confessar-se bem, rejeitando todo pecado; participar da Santa Missa e comungar com esta intenção; rezar pelo Papa ao menos um Pai Nosso, Ave Maria e Glória e visitar o cemitério e rezar pelo falecido.

Lembremo-nos de que nós somos a Igreja Militante, mas há além de nós a Igreja Padecente, formada pelos que estão no Purgatório e a Igreja Triunfante, da qual fazem parte os que já se encontram no céu. Assim, todos juntos formamos o Corpo Místico da Igreja.

Por Renata Souza, missionária da Comunidade Deus Proverá