Somos limitados, fracos e necessitados, afinal, somos “gente”. Quantas vezes repetimos os mesmos erros, e nos acomodamos em nossas fraquezas, no ‘não adianta’, no ‘não consigo’. Isso é ofensivo a Deus porque Deus quer tirar-te desta situação, porque nos fez capaz de ir além. A nossa natureza é limitada, sim, mas quando superada ela reflete a força de Deus em nós, e mais, podemos fazer escolhas a partir disso: quero ficar assim ou quero ir além? Se ficarmos olhando para nossas limitações não daremos nenhum passo.

 

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Precisamos aprender que nossas fraquezas tem nome. Se chamarmos nossas fraquezas pelo nome e conhecer o que me faz cair nelas encontrarei o caminho que me fará vencê-las. Por ex.: ‘quando não paro de mentir, ou de beber, ou de procurar sexo desenfreadamente’.... o que me faz cair? Quais as desculpas que me vêem para que eu acredite que não posso ficar sem cair?

Se eu conheço a maneira, a condição que me leva a cair, vou aprendendo o caminho da renúncia, vou tomando consciência do que me faz mal, vou aprendendo a temer a Deus. No que consiste o dom do Temor do Senhor? Consiste que eu tenha medo de ofender a Deus, que eu tema fazer algo que me afaste dele. E assim, contando com sua graça, venço minhas fraquezas. Preciso fazer um propósito de amar a Deus, assim amando, sendo amada, vou vencendo minhas fraquezas. Para não ofender a Deus e aos irmãos é preciso conhecer muito bem o que me leva a cair. Ao acolher a própria fraqueza tornamo-nos mais humildes, mais tolerantes, mais abertos a caridade e a um outro dom do Espírito que vem complementar meu relacionamento com Deus: o dom da piedade que é o dom que estabelece o grau do meu relacionamento com Deus; a minha maneira de me relacionar com Deus. Então, ao conhecer minhas fraquezas, dar nome a elas, saber o caminho que trilho para cair nelas, cresço no autoconhecimento, na humildade, na caridade, na piedade, na santidade que é o nosso grande alvo.

As nossas fraquezas foram consequência do pecado original. O que é o pecado original se não a minha forte inclinação para desobedecer a Deus, querer que minha vontade prevaleça, enfim, ser deus de minha própria vida? E quantas vezes esse caminhos não nos levam para muito longe de Deus? Mas ao nos darmos conta delas, percebemos que temos a necessidade de Deus. Que nossa força está nele. E que meus irmãos também têm um papel fundamental na minha luta para a santidade. A fraqueza me abre para suplicar a Deus sua ajuda: Senhor dá-me a graça da paciência, da mansidão, da tolerância. A fraqueza serve para que eu conheça a minha inclinação moral para o mal, para o desejo exacerbado pelo poder, o ter, o prazer. Ela foi deixada em nós para que nós pudéssemos livremente lutar contra ela e vence-la como prova do nosso amor por Deus. E não pecar. Quando venço uma fraqueza, não peco. Quando não venço ofendo a mim, aos meus irmãos, a Deus. Se as venço fico perto de Deus.

Os nossos limites não apareceram depois do pecado original, mas mesmo antes dele, o ser humano já tinha seus limites inerentes a própria condição de humanidade. Fomos criados com um corpo material, por isso, precisamos comer, dormir, enfim, são as necessidades fisiológicas, porem, mesmo essas necessidades podem vir a tornar-se motivo de queda se não forem vigiadas. Nossas fraquezas podem gerar comportamentos doentios em nós a ponto de tornar nossas necessidades motivos para sairmos do limite de seres humanos dotados de inteligência.

Quando, lá no Jardim do Éden, o homem sentiu-se só, Deus fez para ele uma ajuda eficaz compatível com sua dignidade: fez a mulher. Nossas limitações criam necessidades. Por isso, somos seres necessitados uns dos outros. Preciso dos outros e os outros precisam de mim. Complementamo-nos uns aos outros.

É muito belo encontrarmos alguém maduro o suficiente para ser íntegro, que se aceita como é, tolerante, aberto para acolher o outro nos seus limites e ajudar a superar suas fraquezas. Como é belo encontrar um santo. Ver que a santidade reflete no humildes. E os santos são aqueles que conhecem e aceitam seus limites e procuram usar suas fraquezas para amar a Deus. Os limites e fraquezas são características da condição humana. Os limites são características pessoais quanto ao corpo, ao tempo, espaço, convenções, sociedade, nível de inteligência, educação, sensibilidade...

Nós somos todos limitados e alguns de nós têm limites especiais. Esses limites precisam ser acolhidos. Não significam que se eu não for perfeita não vou ser amada, nem aceita. Significa que sou gente!!!

E que sou chamada a perceber as necessidades do meu irmão e vou ser tolerante e vou procurar suprir as necessidades dele, seus limites, com minhas aptidões e qualidades. Ao acolher meus limites e conhecer minhas fraquezas percebo que também sou uma pessoa necessitada e vou desenvolvendo a humildade, a paciência, a doçura, a mansidão, a caridade. E posso então, ensinar, orientar, corrigir o meu irmão.

Os meus limites e necessidades servem para eu descobrir quem eu sou e minhas fraquezas servem para eu descobrir Quem Deus é!!!

“Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.” 2 Coríntios 12:9-10 

Por Sonia Castoldi, Formadora Geral da Comunidade Deus Proverá

 

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